Ah, a adolescência. Momento de paixões, intensidade, impulsos borbulhantes, desejos, certezas, dúvidas… é tão difícil ser adolescente! O corpo muda, nos trai: não é nem de criança e nem de adulto. Olhamos no espelho e já não nos reconhecemos mais. Olhamos para dentro e tampouco nos reconhecemos. De repente, está tudo diferente!
É uma fase difícil, mas também mágica e cheia de auto descoberta.
>>>>>> Do ponto de vista psíquico, o adolescente está num momento crucial de sua jornada: deixando de ser objeto de desejo dos pais, objeto que está inserido na história dos pais (e portanto, muitas vezes ocupando o lugar de sintoma dentro da família) para tomar a posição de sujeito de sua própria vida. Difícil né? Olha a pressão.
A pergunta do adolescente é: o que eu faço com isso que agora me atravessa? Quais são os caminhos possíveis? Como colocar para fora tudo isso que fervilha dentro de mim? As vezes, na tentativa de lidar com todo esse caos interno, o jovem pode buscar saídas prejudiciais para aliviar o que não se sabe ainda elaborar. E por isso a orientação (não invasiva!!), a presença (sem cobrança) e o apoio (sem sufocar!) dos pais é crucial.

>>>>>>> O cérebro adolescente também está em plena transformação: os sistemas ligados à emoção, recompensa e busca de novidade (como o sistema dopaminérgico) estão hiperativos, enquanto o córtex pré-frontal — responsável por planejamento e avaliação de risco, ainda está em maturação (e só estará plenamente formado por volta dos 25 anos).
Isso o torna mais impulsivo e com uma maior sensibilidade por aprovação social. O olhar do outro passa a importar MUITO. Principalmente do grupo de amigos. A hierarquia mudou: se antes tudo o que eles queriam era o papai e a mamãe só pra eles, agora eles querem os amigos.
Se sentir pertencente e relevantes nesse grupo de amigos se torna uma necessidade quase fisiológica. E é fundamental para os pais, professores, psicólogos entenderem isso. Muitas vezes, mais do que tirar boas notas, ou aprender a lidar com o dinheiro, ou pensar na carreira, o adolescente quer se sentir querido e pertencente ao grupo.E isso precisa ser validado e acolhido por nós, adultos, e não julgado.
A adolescência é esse tempo delicado em que algo do infantil ainda existe, mas algo do adulto começa a nascer. E sustentar essa tensão não é uma tarefa simples.
>>>>> Metacognição: Junto com tudo isso, começa a nascer algo novo:a capacidade do adolescente de pensar sobre si mesmo. Ele começa a se fazer perguntas importantes e que vão orientá-lo na construção de sua identidade: Quem eu sou? Como os outros me veem? Quem eu quero ser? Talvez por isso a adolescência seja também conhecida como o grande tempo da indecisão, da procrastinação, do “depois eu vejo”… Não é falta de responsabilidade, como muitos pais chegam na clínica reclamando, mas o peso de se escolher quem eu quero ser e de ter que se haver com a montanha emocional, social, psicológica, física que aparece.
O jovem adolescente começa a testar seus limites, suas potências. E assim descobre a própria criatividade e força. Isso é mágico! Ter canais para se auto expressar se torna, então, imprescindível. É uma forma de colocar as emoções para fora.

E qual é o papel dos pais?
É fundamental que os pais lhes deem esse espaço para auto descoberta. Num movimento delicado, de abrir espaço, mas sem desaparecer. De dar espaço, mas permanecer por perto, sustentando, cuidando do vínculo, oferecendo apoio emocional. Porque crescer precisa ser também uma escolha do adolescente. Algo que marque sua iniciação como sujeito da própria história. Quando os pais permanecem com sabedoria, respeito e presença, o adolescente pode, aos poucos, fazer esse movimento por si.
O adolescente fica muito na defensiva, então é importante que ele se sinta acolhido e não cobrado. Sinta que tem valor, que é amado pelo que ele é, e não pelo que você espera que ele seja.
Algumas dicas práticas para os pais de adolescente:
- Explique para ele sobre a fase que ele está passando. Os hormônios, o cérebro, que está ainda em formação. E como tudo isso o afeta.
- Deixe o ego de lado! Demonstre respeito, sem cobrança excessiva. Deixe o ego de lado! Deixe o ego de lado!
- Demonstre confiança! Para ele confiar em você, ele precisa sentir que você confia nele. Dê um pouco mais de autonomia. Solte as rédeas um pouco, é hora de confiar um pouco mais em tudo o que você ensinou até hoje.
- Deixe eles errarem e aprenderem com os próprios erros. Não seja controlador (a). Dê oportunidade para eles experimentarem, viverem. Assim, vão adquirir resiliência e ir criando mais capacidade de tomar decisões.
- O adolescente se afasta, naturalmente. Por isso mantenha o canal de comunicação aberto. Vc pecisa ser a figura de estabilidade emocional na explosão deles. Ser a calma que seu filho precisa!!!
- Não cobre excessivamente! Evite olhares de reprovação, ou comentários críticos demais.
- Cuide de sua própria saúde emocional, remaneje expectativas que você tem sobre seu filho (a).
- Elimine qualquer rótulo. Não faça com que os comportamentos dele se tornam a sua personalidade.
- E busque elogiar e falar boas palavras para ele. (Pesquise sobre comunicação não violenta)
- O mais importante: Foque no vínculo! Não brigue a toa. Não cobre por qualquer coisa. Olhe para a qualidade da relação de vocês. Você é uma mãe/pai estável? Ele sente que pode contar com você? Se der ruim, ele vai te ligar? Tente entrar no universo dele (a) e compreender o mundo da forma como ele (a) pensa
Fácil né?
Até a proxima semana! Boa sorte com seus adolescentes por aí =)