Luto e Melancolia em Legalmente Loira

Elle vive no universo de (aparente) completude, até que tudo cai por terra: seu “namorado perfeito” termina com ela, e ela se vê sem rumo, sem auto estima e sem perspectiva de futuro, já que estava totalmente investida nessa relação.

Esse término desorganiza sua identidade e ela começa a questionar a si mesma. Não é apenas o amor que se perde, mas o lugar que a Elle acreditava ocupar no desejo do ex. Sem esse lugar, o que sobra pra ela?

A percepção que ela tem de si e do mundo fica abalada. Perder esse lugar significa perder as próprias coordenadas de quem ela é na vida.

“Se eu não sou mais desejável pra ele, quem sou eu da vida?”‘

Até ela entra ruma de TENTAR PREENCHER O DESEJO DO OUTRO (não façam isso em casa meninas!)

Se antes ela sustentava sua autoestima por meio do olhar de ex namorado, agora ela tenta recuperar esse olhar se tornando aquilo que ele valoriza: uma estudante de Harvard!

Esvaziada de si, seu foco é tão alto que ela consegue entrar em Harvard (!!). Mesmo sem saber o que é Harvard. Mas, a surpresa: ele já está com outra.

Vivian, a nova namorada, representa tudo o que ele diz valorizar: seriedade, inteligência, tradição… Elle a vê como rival e, ao mesmo tempo, como objeto de identificação: “Ah, então eu só preciso ser melhor que elal”. #CILADA

Então ela entra no páreo e começa a estudar e dar tudo de si. Aos poucos após muita humilhação e falta de amor próprie, a gente vê que ela começa a ganhar novos interesses

A DESCOBERTA DE SI E DO PROPRIO DESEJO
(esse é o foco)

Em vez de focar no ex, ela foca nas aulas, nas amizades, nos estudos. E assim começa a expandir suas possibilidades, saindo então do seu círculo fechado de sofrimento e dor.

Outras coisas passam a ganhar espaço na sua vida, e ela descobre em si uma potência e um senso de justiça que ela nem sabia que existiam. De repente ela tem novos objetivos!

A dor da perda acaba encontrando um destino criativo, valioso e capaz de fazêla se sentir realizada. O ex namorado já não tem o poder de dar a validação que ela tanto buscava.
O filme mostra a armadilha que é viver alienada no desejo do outro e a potência que é se libertar disso.

LUTO × MELANCOLIA
Freud explica a que a libido (energia pulsional) que foi tirada do objeto perdido (o ex!) precisa arrumar um destino, não pode ficar perdida no psiquismo. Quando não encontra um destino, a gente entra no chamado luto patológico, um tipo de depressão grave, a melancolia.

no luto: o mundo se torna pobre e vazio mas em algum momento eu consigo “virar o jogo”

na melancolia: o próprio eu se torna pobre e vazio. A dor toma conta da pessoa, que se pune, internaliza raiva e se auto ataca.

“a sombra do objeto recai sobre a ego”
Freud, em Luto e Melancolia

Fazer o luto de uma perda é um processo, demanda tempo, trabalho psíquico, e paciência.

As perdas que sofremos na vida nos remetem a todas as nossas perdas anteriores, e se as perdas anteriores não estão elaboradas, a coisa se torna uma bola de neve. Um nó difícil (mas possível!) de desfazer.

Até o próximo post =)

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