Como Nossas Emoções Guiam Nossas Decisões?

É comum a gente falar: “não sei se sigo a razão ou a emoção” na hora de tomar uma decisão. Ou então: “Não sei se escuto meu cérebro ou meu coração” (principalmente os mais os mais dramáticos de nós. Que jogue a primeira pedra quem nunca deu uma dramatizada básica? Eu já).

Mas a verdade é que quanto mais a neurociência se aprofunda no tema, mais ela chega a conclusão de que emoção e cognição são dois lados da mesma moeda! Elas não são opostas, são inseparáveis. Não tem como a gente “desligar” um para usar o outro, porque a gente usa os dois ao mesmo tempo, o tempo todo. Um influencia o outro: o pensamento influencia a emoção e a emoção influencia o pensamento.

Antônio Damasio, no livro O Erro de Descartes, critica a ideia de que a razão seja uma instância “superior”, e que a emoção atrapalha o pensamento e a tomada de decisões. Ele mostra o contrário: sem emoção, não conseguimos decidir bem. Por que? Porque a emoção nos ajuda a avaliar o contexto, as memórias. A guiar nossas prioridades, evitar riscos, pesar prós e contras.

Damasio traz a ideia de “marcadores somáticos”, que são sinais corporais ligados a emoções e que ajudam muito na hora de tomar uma decisão. E como isso funciona na prática? Assim: você vive uma experiência, e ela te gera uma emoção (alegria, tristeza, angústia, medo, etc). Essa emoção não se perde. Ela fica registrada no corpo, no cérebro, no inconsciente. E na hora de tomar uma decisão, o corpo “sinaliza” automaticamente ao nosso cortex pre frontal (O QG, onde a mágica da execução acontece!), orientando, assim, a nossa decisão. Faz sentido?

Tá… mas então por que parece que estamos divididos?

Porque nós estamos divididos mesmo! Mas não entre razão e emoção, e sim entre os diferentes, conflitantes, opostos desejos que nos habitam (Alô Freud e companhia!). Temos diferentes instâncias dentro de nós, que entram em conflito o tempo todo, querendo coisas distintas. Somos sujeitos divididos!

Quero muito comer mais um pedaço de bolo (mas também quero um corpo saudável, maneirar no açúcar). Quero ser mãe (mas também quero crescer na carreira e ser dona do meu tempo). Quero ficar com tal pessoa (mas sei que ela não me faz bem e depois vou chorar em posição fetal no meu quarto).

Somos seres complexos!

Entende o que eu quero dizer? Isso é normal, faz parte da experiência humana, somos dialéticos, queremos muitas coisas ao mesmo tempo, coisas opostas inclusive. Quem nunca?

Também podemos sentir coisas opostas frente a uma mesma situação. Posso estar eufórica diante de uma gravidez, e ao mesmo tempo muito preocupada e angustiada, também com muito cansaço mental.

E está tudo bem =) Abraçar todas nossas emoções, sem julgar, é o primeiro passo rumo a uma maior maturidade emocional. Não brigar com a emoção, mas questioná-la, refletir sobre ela, ver qual caminho ela faz dentro de nós, e o que ela traz de melhor ou pior em nós? O que ela está querendo dizer?

E quando tivermos de tomar uma decisão mas estivermos divididos entre duas (ou mais) opções? A pergunta que deve entrar aqui não é “razão ou emoção?”, mas sim: Qual desejo eu escolho sustentar, sabendo que outro desejo terá de ficar de fora?

Lembre-se que escolher sempre implica perder alguma coisa. Sustentar a angústia de não sermos capazes de abraçar o mundo faz parte da vida adulta (como Freud já dizia…)

Até o próximo post 🙂

Desejo a todas ótimas decisões!

Um beijo,

Débora